terça-feira, 29 de abril de 2008
A oralidade da lenda... Mitos ????
O relato oral de Carocha, pescador da Marambaia e do Bita também pescador
“ Olha nois táva num lugar lá no retiro. sem nada. Não tinha casa, não tinha gente, não tinha nada. Noís muito namorador e ia nos lugar das vila dos outro pescador do norte. Depois nóis voltava a cavalo. Eu e o Bita tava voltando até onde o meu pai tava esperando. Ele tinha acendido um liquinho, para nóis o achar. Tinha muita cerração e tava escuro que nem preto.
Nóis tava a cavalo e no meio do nada, começamo a ouvi risada de mueí. Riam na nossa frente. Riam atrais de nóis. Riam encima de nóis. Isso foi um vinte minuto ouvindo as risada. Olha era as Bruxa! Elas andam atrás de home solteiro. Nois tinha so 28 ano e era solteiro. Mas era as Bruxa! Hoje não se fala mais nisso. Nóis os véio sabemu, mas a gurizada não.”
segunda-feira, 28 de abril de 2008
quinta-feira, 24 de abril de 2008
A Imagem
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Saiu no jornal Soberania do Povo - Portugal
“As obras do Recanto de Nossa Senhora de Lourdes, no Porto do Rey, na Ilha dos Marinheiros (Rio Grande, Brasil), estão em, fase final. O Recanto é um projecto da OSCIP, Sociedade Marinhense de Desenvolvimento Sustentável e que será inaugurado a 26 de Maio.
O recanto é mais um atractivo turístico que será entregue aos ilhéus, aos turistas e visitantes em geral. Trata-se de um templo ao ar livre integrado à natureza. Um local de oração, contemplação, paz e reflexão. Ganhamos um presente. As imagens foram esculpidas por Érico Gobbi e foram doadas com a intenção de dar uma maior desenvolvimento económico a região. Devemos valorizar as imagens também como obras de arte de grande valor artístico.
Um lindo jardim está sendo construído. Grande parte do espaço recebeu calcetamento com pedras rústicas e bancos doados pela prefeitura. Recebemos também de presente um chafariz para embelezar mais o recanto. A doação foi feita pelo economista Fuad Nader, um grande amigo da ilha.
Os recursos para a construção vieram da iniciativa privada. É muito importante essa ajuda das empresas para que possamos executar nossos projectos. Só assim poderemos melhorar a situação dos ilhéus possibilitando a eles novas alternativas de vida. As empresas que ajudam podem deduzir essas doações no imposto de renda e terão homenagem especial de reconhecimento. Foram gastos ali em torno de 150.000 reais.
Nesse local poderão ser realizadas missas, casamentos, actividades religiosas e até didácticas. Foram construídas neste espaço, a casa do zelador, banheiros, altar, palco para actividades artísticas, casa das lembrancinhas e casa miniatura de Santa Bernardete.”.
Senhoras da comunidade já estão se dedicando à produção do artesanato religioso e esperam que o local venha aquecer a economia local. (http://www.soberaniadopovo.pt/portal/index.php?news=1296).
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Amores
No lado esquerdo do peito. Trago a emoção, o amor, o coração, a cultura e a saudade.
Mas também levo a força da vida nova no lado direito do peito....
sábado, 19 de abril de 2008
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Falando da Ilha...
O imaginário do homem do continente está repleto de imagens sobre as ilhas e seus habitantes. Antes de iniciar este trabalho não era diferente com este pesquisador. Por já haver estudado a história da ilha, sabia-se um pouco, sobre sua história, sua população e sua cultura. Todavia, entre a imaginação e o pseudo conhecimento que se achava possuir sobre a ilha e os ilhéus, existia uma enorme diferença com relação a realidade.
Para um etnólogo, um antropólogo ou mesmo um fotógrafo, a função do “flâneur” , se fazia necessário desempenhar. Também air como Marcel Mauss, aponta em seu Manual de Etnografia ( 2006), quando se refere como observar e identificar os lugares onde se irá trabalhar e qualquer manual de fotografia aponta técnicas de procedimento para o fotógrafo trabalhar. Assim, estás foram as principais características das primeiras idas à ilha dos Marinheiros.
Após algumas viagens realizadas à ilha, era necessário, para se entender a cultura do ilhéu, se inserir na comunidade. Assim, tendo-se observado profundamente a sociedade ilhéu, estabeleceu-se uma forma de procedimntos básicos, de forma a se definir como se realizaria o trabalho.
As relações com os ilhéus, tiveram início em 1999, nas visitas a cada casa e a cada família da ilha, onde se apresentava-se, conversava-se e realizava-se fotografias sómente quando autorizado. A práxis, sugerida por John Collier Jr. (1974), onde as imagens eram devolvidas ampliadas em cada nova visita, foram feitas desde o início. Isto se fez nos últimos nove anos, de forma ininterrupta, fazendo com que a investigação participante, rende-se alguns milhares de imagens fotográficas, e um relacionamento que ultrapassava a simples “observação participante”. O fato de ter sido aceito como um deles, e participado de inúmeros eventos na comunidade, contribuiu muito para isto.
Percebe-se a importância do dizer de Malinowski, em suas sugestões na introdução do livro “Os Argonautas do Pacífico Ocidental”, quando diz que, “(…) recomenda-se ao etnógrafo que de vez em quando deixe de lado máquina fotográfica, lapis e caderno, e participe pessoalmente do que está acontecendo”. (MALINOWSKI. 1984.31).
A observação atenta, com a inserção na comunidade e as exaustivas visitas, aos finais de semana à ilha dos Marineiros, levaram à uma aceitação por parte da comunidade, como alguém que se interessava pore eles, por seus problemas e que passava horas a fio sentado a escutá-los, sem apressar-se nunca. Sómente quando autorizado, ainda que tacitamente, se começava a fotografar.
As fotografias que retornavam aos ilhéus, eram verdadeiros passaportes para as novas etapas do projeto. Não raro, se era atacado por alguém, na ilha, que ofendido dizia; “Quando é que vão me fotografar? Já fotografaram a todos os meus vizinhos e eles já receberam as fotos! Estou esperando que apareçam lá em casa!, para fazerem as fotos e conversarem…”.
Com a inserção conseguida na comunidade da Ilha dos Marinheiros, as visitas semanais a diversos integrantes da comunidade insular, passaram a ser rotina e as fotografias ansiosamente aguardadas por eles, verdadeiros “abridores de memória”, pois reavivavam fatos, acontecimentos e mediavam as entrevistas fazendo com que compartilhassem não só as informações sobre a história da comunidade, mas muito da intimidade de cada um.
Percebeu-se que a grande maioria dos ilhéus ou era de idade muito avançada ou eram de crianças em fase escolar. A simplicidade era então uma característica desta sociedade como diz Azevedo (2003) sobre o habitante da Ilha dos Marinheiros, “(…) ser ilhéu não é sinônimo de incapacidade. Pela pureza e humildade, pelo sofrimento, por nos fazer acreditar, novamente, num futuro melhor”(AZEVEDO.2003.16) , ser ilhéu “(…) sintetiza o encanto e a tradição fascinante que acolhe a todos, é um produto da cultura rural portuguesa, onde pessoas de hábitos singelos não foram absorvidas de todo pela modernidade”. (AZEVEDO. 2003. 21). O que é uma singulariedade cultural desta sociedade
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Uma questão de empatia
Percebe-se a importância do dizer de Malinowski, em suas sugestões na introdução do livro “Os Argonautas do Pacífico Ocidental”, quando diz que, “(…) recomenda-se ao etnógrafo que de vez em quando deixe de lado máquina fotográfica, lapis e caderno, e participe pessoalmente do que está acontecendo”. (MALINOWSKI. 1984.31)
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Falando sobre a pesquisa com fotos...
Não é mais estranho, o fato da fotografia só aparecer como ilustração de tabalhos científicos. Agora, ela tem se apresentado também como um forte aliado na produção de textos antropológicos e etnográficos.
Ao incorporar a metodologia de Gegory Bateson e Margaret Mead, adotada em seu livro “Balinese Character”, de 1942, se procura resgatar o trabalho pore eles realizado, da mesma forma, que a utilização do modelo de Bateson, estabelece uma organização entre o visual e o texto tradicional, de forma que venha a garantir um diálogo entre ambos.
Assim a apresentação da narrativa visual, contempla a utilização de pranchas, sequenciais ou temáticas, de forma que venham a compor uma eficiente transmissão de informações, através da utilização e imagens, de fotografias, que avaliadas cuidadosamente e organizadas com critério, como se faz com letras e palavras, formem uma mensagem, através de cada prancha.
Pode parecer estranho, mas ao sentar para escrever a dissertação, percedeu-se que tinha-se mais de 6.000 imagens digitais e cerca de 2.000 imagens analógicas, sobre a ilha, sobre o povo, sobre a vida e sobre as festas religiosas.
Traçar com as fotografias, um fio condutor, para que o leitor possa compreender e ver a religiosidade popular na ilha e entender através da visualização de outros elementos, o por que de ser da comunidade e cada uma das festas, é a pretensão que se objetiva neste trabalho.
terça-feira, 8 de abril de 2008
A observação atenta, com a inserção na comunidade e as exaustivas visitas, aos finais de semana à ilha dos Marineiros, levaram à uma aceitação, deste pesquisador, por parte da comunidade, como alguém que se interessava pore les, por seus problemas e que passava horas a fio sentado a escutá-los, sem apressar-se nunca.
As relações com os ilhéus, tiveram início em 1999, nas visitas a cada casa e a cada família da ilha, se apresentando, realizando fotografias, quando autorizado, e as devolvendo-as ampliadas em cada nova visita. Isto se fez nos últimos nove anos, de forma ininterrupta, fazendo com que a investigação participante, rende-se alguns milhares de imagens fotográficas, e se fosse aceito como um deles.
Elaborar um trabalho de antropologia visual, na área de ciências sociais, com a utilização de imagens fotográfica, exige um minucioso planejamento e uma construção, que deve ser muito bem elaborada. Quando se pensa, que a interação entre os registros verbais e os registros visuais que como diz Samain, ao falar sobre o livro de Bateson e Mead, “Balinese Character”, como “(…) concebidos como verdadeiras fontes de pesquisa e não apenas como meras e possíveis ilustrações”. (SAMAIN. in ALVES. 2004. 53), são de uma enorme importância para o trabalho. As fotografias adquiriram uma importância maior do que a de apenas fragmentos do observado, mas necessitavam de uma eloqüência maior, a fim de mostrarem, narrrarem e recordarem, a realidade espistemológica que procuravam conter de cada fenômeno gravado.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
O Espaço Sagrado, na Ilha dos Marinheiros
Os ilhéus, na Ilha dos Marinheiros se reportam através de relatos orais e documentados por alguns historiadores à criação do espaço sagrado na ilha. O Cruzeiro. A construção deste local, no imaginário do ilhéu, tem uma ligação simbólica com sua herança cultural e sua estrutura religiosa.
sábado, 29 de março de 2008
Um olhar...
Esta sociedade insular, como diz Diegues “(...) Dadas as incertezas, os imponderáveis climáticos e de mercado” (DIEGUES.1998.59), estrutura-se baseada em um conhecimento empírico do mundo em que vivem, pois impedidos de influenciarem no tempos cíclico que rege as suas atividades, devem a ele se moldar.
Seus atores sociais, formulam um viver, que se por um lado se estrutura na tradição e no saber milenar da arte de viver em uma ilha, depender do mar e de suas conseqüências espaciais e geográficas, por outro estabelece um viver mágico-religioso.
Volver o olhar sobre o Ilhéu, é pesquisar a etnologia e etnografia de um povo maravilhoso.
Herdeiros naturais, das utopias sociais que envolvem as ilhas e seus habitantes, Os ilhéus, são os protagonistas da sua própria historicidade e transformaram estes ambientes considerados no passado, como impróprios para a vida humana, em seus espaços sociais, culturais e históricos, indo além do apelo imaginário e mágico, que as ilhas e seus habitantes despertam na psicologia do homem moderno.








